CANÇÕES


EDIÇÃO, PARÁFRASE, TRADUÇÃO CHINESA E COMENTÁRIO (TRABALHO EM CURSO)

编辑、改写、中文翻译和评论(进行中)

CANÇÃO III

JÁ A ROXA MANHÃ CLARA


Primeira publicação:

Texto adotado:

LUÍS DE CAMÕES

(HÁ c. 470 anos)

ORIGINAL

Canção III

Ja a rôxa manhãa clara

As portas do Oriente vinha abrindo;

Os montes descobrindo

A negra escuridão da luz avara.

 5                          O sol, que nunca pára,

Da sua alegre vista saudoso,

Traz ella pressuroso

Nos cavallos cansados do trabalho,

Que respirão nas hervàs fresco orvalho,

10          S' estende claro, alegre e luminoso.

Os passaros voando,

De raminho em raminho vão saltando;

E com suave e doce melodia

O claro dia estão manifestando.


15                         A manhãa bella, amena,

Seu' rosto descobrindo, a espessura

Se cobre de verdura

Clara, suave, angelica, serena.

Oh deleitosa pena!

20          Oh effeito d'Amor alto e potente!

Pois permitte e consente

Qu’ou donde quer qu'eu ande, ou dond' esteja,

O seraphico gesto sempre veja,

Por quem de viver triste sou contente.

25                         Mas tu, Aurora pura,

De tanto bem dá graças á ventura,

Pois as foi pôr em ti tão excellentes.

Que representes tanta formosura.


A luz suave e leda

30           A meus olhos me mostra por quem mouro,

Com os cabellos d'ouro,

Que nenhum ouro iguala, se os remeda.

Esta a luz he que arreda

A negra escuridão do sentimento

35                         Ao doce pensamento;

Os orvalhos das flores delicadas

São nos meus olhos lagrimas cansadas,

Queu choro co'o prazer de meu tormento;

Os passaros que cantão,

40          Meus espiritos são, que a voz levantão,

Manifestando o gesto peregrino

Com tão divino som, que o mundo espantão.


Assi como acontece

A quem a chara vida está perdendo,

45                        Qu’em quanto vai morrendo,

Alguma visão santa hy apparece;

A mim em quem falece

A vida, que sois vós, minha Senhora,

A estalma, qu'em vós mora

50          (Em quanto da prisão s'está apartando).

Vos estais justamente apresentando

Em forma de formosa e rôxa Aurora.

Oh ditosa partida!

Oh gloria soberana, alta e subida!

55          Se me não impedir o meu desejo;

Porque o que vejo, emfim, me torna a vida.


Porém a natureza,

Que nesta pura vista se mantinha,

Me falta tão asinha,

60          Como o sol faltar soe á redondeza.

Se houverdes qu’he fraqueza

Morrer em tão penoso e triste estado,

Amor será culpado,

Ou vós, ond'elle vive tão isento,

65          Que causastes tão largo apartamento,

Porque perdesse a vida co'o cuidado.

Que se viver não posso,

Homem formado só de carne e osso,

Esta vida que perco, Amor ma deo;

70          Que não sou meu: se morro, o damno he vosso.


Canção de cysne, feita em hora extrema,

Na dura pedra fria

Da memoria te deixo em companhia

Do letreiro da minha sepultura;

75          Que a sombra escura ja m’impede o dia.




FELIPE DE SAAVEDRA

(2025)

PARÁFRASE

Canção III

A Aurora púrpura abre as portas do Levante, e a escuridão, sedenta de luz, começa a deixar revelar as cordilheiras.

O sol incansável, com saudades de a ver, seguiu a Aurora de perto, trazido por cavalos exaustos de puxarem a carruagem solar, e alonga-se brilhante, feliz e cintilante.

Os pássaros esvoaçam e saltam de galho em galho, e com os seus suaves trinados proclamam o romper do dia.


A linda e aprazível madrugada, ao desvelar o seu rosto enverdece o bosque, brilhante, brando, pacífico.

Ó maravilhoso labor!

Ó obra de poderoso e forte amor.

Pois me possibilitas a contemplação constante, em toda a parte onde me encontre ou por onde ande, do semblante angelical daquela a quem tão grato sou por me fazer penar.

Casta Alvorada, agradece à fortuna por seres tu a revelar [à luz do dia] a beleza imensa [da minha bem-amada].


Revela ao meu olhar a luz serena e feliz da Senhora por quem eu morro, com os seus loiros cabelos com que o oiro não ombreia, se acaso os imita.

É ela a luz que afasta o negrume da saudade nas minhas doces lembranças;

Os relentos que pousam sobre as mimosas flores são nos meus olhos fatigadas lágrimas, que eu verto com o gozo do meu sofrimento;

Os pássaros que gorjeiam são os meus espíritos que cantam, espalhando as minhas emoções com tão sublimes sons que o mundo assombram.


Tal como aquele que da vida amada se despede, e que ao extinguir-se lhe surge uma visão celeste, assim a vida, que sois vós, Senhora, vai fugindo a esta minha alma, que para vós migrou, despedindo-se da prisão corporal.

Para mim vós vos figurais exatamente como bela e rubra Aurora.

O felicíssimo transe!

Ó apoteose magnífica, elevada e sublime!

Isto caso a não frustre o meu terrenal apego, pois só por vos contemplar já a vida a mim regressa.


Mas a natureza, que neste olhar puro se conservava, vai-me abandonando tão lesta quanto o sol corre a ocultar-se no firmamento.

Se pensardes que é por fraqueza que eu morro em tão sofrido e miserando estado, sabei que o responsável é o Amor.

Ou então vós, onde ele vive tão ao gosto dele que vos haveis afastado de mim por tanto tempo para que eu com tão grande saudade me extinguisse.

Que se eu não posso viver unicamente como corpo, a alma que me agora me abandona foi Amor quem ma ofertou.

E sejá a mim não pertenço, se eu morrer a perda é vossa.


Canção que és como o canto do cisne no momento derradeiro, na lápide do sepulcro te inscrevo junto ao meu epitáfio;

Que as trevas já me vedam agora o dia.

ZHANG WEIMIN

(2025)

简体中文

情歌三

那颗粉红色明亮的晨星,

已经打开了东方的大门。

渴望光明的黑暗

展露出山峦。

不知疲倦的太阳

思念着她快乐的眼神,

行色匆匆,紧随她身后,

马儿疲惫地奔跑,

嗅着草叶上新鲜的露水,

露珠闪着快乐的亮光。

小鸟飞来飞去,

从一个枝头跳到另一个枝头,

用甜蜜的曲调,

宣告白天的到来。 


美丽宜人的清晨,

在葱翠树林,

展露她天使般,

温柔娴静的脸庞。

噢,多么悦人的忧伤!

噢,爱神强大而崇高的效果!

因为他竟然允许我 

不论在哪里总是看见

那天使般的容颜,

为她我甘愿生活在忧伤中!

可是你,纯洁的奥罗拉,

要感恩运气让你这样妙曼,

因为让你如此美丽卓绝,

是展现我爱人的容貌。


这轻柔快乐的晨光

给我的眼睛展示出那个人,

我情愿为她而死,

她的一头金发

没有金子能媲美,

这光明为我甜蜜的思想

驱散了情感的黑暗。

娇嫩鲜花上的露珠,

是我眼中厌倦的泪水,

我哭泣带着对自己苦难的快感。

歌唱的小鸟

是我的精神扬起的声音,

流露出奇异的感情,

如此神性,让世界惊艳。


就像一个 正在

失去宝贵生命的人

当他濒临死亡, 

眼前出现一些神圣的视像,

对正在失去生命的我,

出现的视像就是你,我的夫人,

我的灵魂住在你身中,

(当它从这座牢狱离开)

你展现的模样

是美丽粉红的奥罗拉。

噢,多么幸运的出发!

噢,无尚崇高而升华的荣光!

假使不阻止我的欲望,

因我看见了你,最终让我死而复生。


然而将这种纯洁的视像

保留的大自然,

这样快速地消失,

仿佛阳光迅速地消失在天空。

如果你以为我必须死在

如此痛苦和悲哀的境况,

是一种软弱,

要对这死亡负责的是爱神。

或者是你,我那么无辜地活在你的身中,

是你造成了如此遥远的离别,

让我在忧思中死去。

如果我不能活着,

我,只是一个血肉之躯的人,

失去的生命,是爱神所赐 ,

我不属于我:如果我死了,受损失的是你。


天鹅临终时的哀歌:,

在坚硬冰冷的墓石上

留给你做陪伴的记忆,

是我的碑铭,

黑暗的阴影已阻止了我的白天。

COMENTÁRIO À CANÇÃO III

Em curso.


对中文翻译的评注:

6 : 晨光女神。

EDIÇÃO CRÍTICA DIGITAL DA OBRA LÍRICA DE CAMÕES

卡蒙斯抒情作品数字批判版

UNIVERSIDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MACAU

澳門科技大學

PROJETO FRG-25-029-UIC

A LÍRICA DE CAMÕES, ESTUDO, TRADUÇÃO E PUBLICAÇÃO

卡蒙斯的诗歌——研究、翻译和出版