CANÇÕES


EDIÇÃO, PARÁFRASE, TRADUÇÃO CHINESA E COMENTÁRIO (TRABALHO EM CURSO)

编辑、改写、中文翻译和评论(进行中)

CANÇÃO XI

Nem rôxa flôr de Abril


Primeira publicação:

Texto adotado:

LUÍS DE CAMÕES

(HÁ c. 470 anos)

ORIGINAL

Canção XI

Nem roxa flor de Abril,

Pintor do campo ameno e da verdura,

Colhida entre outras mil,

Foi nunca assi agradavel á donzela

 5                          Cortez, alegre e bella,

De sua mãe cuidado e glória pura,

Como a mi foi a inculta formosura

Natural, que pudera

A Saturno render na sua Esphera.


10                         Natural fonte agreste,

Não lavrada d'Artifice excellente,

Mas por arte celeste

Derivada de rustico penedo,

Não fez ja mais tão ledo

15          Cansado caçador por sesta ardente,

Quanto o cuidado a mi me fez contente

Do vêr tão descuidado,

Que faz sereno a Jupiter irado.


Fructa, que sem concerto

20          Naturalmente em ramos se pendura,

Achada por acêrto;

A quem pintada a vê de sangue e leite,

Não lhe dará o deleite,

Qu'essa graça me dá sem compostura.

25          Ornamento da mesma formosura,

E o toucado sem arte.

Que tornara pastor ao bravo Marte.


A manhãa graciosa,

Que derramando sahe d’entre os cabellos

30                         A flôr, o lirio, a rosa,

Sem ajuda d'ornato, ou d'artificio,

Não faz o beneficio,

Que faz a luz dos vossos olhos belos

A quem os vê tão puros e singelos;

35                         E esse innocente riso,

Por quem Apollo o Tejo torna Amphriso.


Outeiros coroados

Das árvores que fazem espessura

Com os ramos copados

40          Alegre, que mão destra os não cultiva,

Graça tão excessiva

Não têe na sua natural verdura,

Quanta na d'esses olhos, clara e pura,

Deposita a esperança,

45          Com que Amor gosto, a mãe tormento alcança.


Dos simples passarinhos.

A musica sem arte concertada,

D'entre os verdes raminhos,

Tão suave não he, tão deleitosa

50                         A quem na selva umbrosa

Com mente ouvindo-a está toda enlevada,

Quanto a mi essa falla doce agrada,

E o natural aviso,

Que roubão a Mercurio sceptro e siso.


55                         De frescos rios ágoa,

Que clara entre arvoredos se deriva,

Cahindo dalta fragoa

Esmaltando de perolas no prado

O verde delicado,

60          Com brando som aos olhos fugitiva,

Não nos alegra quanto a graça esquiva

D'essa luz soberana,

Que faz cortez a rustica Diana.


A tal luz (ó Canção, que ousaste vella!)

65                         Vendo está ja prostrado

Saturno triste, Jupiter irado.

Bravo Marte, aureo Apollo. Venus bella,

E Mercurio, e Diana, e toda estrella.

FELIPE DE SAAVEDRA

(2025)

PARÁFRASE

Canção XI

Nem a vermelha flor do mês de Abril primaveril, que traz cor ao deleitoso campo e ao verde da planura, escolhida de entre todas as outras, foi alguma vez tão agradável para uma menina, gentil, feliz e linda, mimo e supremo orgulho da mãe dela, como o foi para mim a vossa beleza virgem e pristina, que susteria Cronos na sua órbita.



Nem uma fonte rústica nos montes, não trabalhada por mão perita, antes brotando de uma penha tosca por ímpeto celestial, fez jamais tão feliz o caçador fatigado sob o pino do sol quanto a mim me faz contemplar a vossa atitude, tão despreocupada que apaziguaria o irascível Zeus.



A fruta que pende sem artificialidade e espontaneamente dos galhos da árvore, encontrada por acaso por quem a contempla esmaltada de rubor e alvura, não lhe oferecerá prazer tão grande quanto a mim me causa a vossa gracilidade desafetada, glória da própria beleza, e esse penteado tão natural que pacificaria o fero Ares.



A airosa aurora que as flores revela, mostrando o lírio e a rosa com os seus primeiros raios, sem qualquer adorno ou enfeite, não é tão benfazeja quanto o é o brilho dos vossos olhos lindos para quem os contemple, claros e límpidos, ou escute esse riso tão ingénuo que me inspira como se Apolo fizesse do Tejo o seu rio.



As colinas cobertas de árvores de copas frondosas criando bosques, alegres e intocadas pelos jardineiros, não têm no seu verdor natural o encanto tão excelso, luminoso e límpido que a esperança conferiu aos vossos olhos, agradando a Cupido e amedrontando Afrodite.



Para quem na mata espessa nele atenta com enleio, não é tão brando e melodioso o despretensioso canto, entoado por entre os verdes galhos pelo singelo passarinho, quanto o são para mim as vossas mélicas palavras, e a sensatez natural que elas afirmam, que despojam Hermes do seu caduceu e juízo.



A água que corre límpida no frescor dos rios por entre os bosques, despenhando-se de altas penedias em cascata, pontilhando de mil pérolas cristalinas o verde plaino com suave rumorejar, e fugindo à nossa vista, prazer não á tanto quanto o fugidio encanto desse vosso brilho absoluto, capaz de civilizar Artemis, a deusa dos arvoredos.



Esse brilho, ó tu canção que ousaste fitá-lo, já deteve na sua órbita o melancólico Cronos, o sanhudo Zeus, o fero Ares, o loiro Apolo, a linda Afrodite, e Hermes, e Artemis, e as estrelas todas.

ZHANG WEIMIN

(2025)

简体中文

情歌十一

四月——怡人绿野的画家,

从百花中

选出的紫花;

快乐又俏丽的宫廷少女,

妈妈的爱女,纯洁的荣光,

对我来说,比不上

你那自然质朴的美,

能让萨图尔努斯

在他的星球上对你臣服。


自然的山泉,

未经人工的雕琢

是天造地设,

从山岩间涌出,

疲惫的猎人炎夏的午睡,

从未有过如此快乐,

比不上看见你 

那样纯真烂漫给我的快乐,

你无忧无虑让朱庇特平息怒气!


仿佛一只果子

天然垂在枝头,

被偶然发现,

见她被描绘得

白里透红,

比不上那种

无艺术加工之美,

更让我入迷。

让勇猛的马尔斯变成牧人。


明媚的晨光女神,

长发间流光溢彩;

不加妆扮与修饰的

百合与玫瑰,比不上

你美丽眼睛的光艳,

它们是那样纯洁,

还有你天真的笑容

阿波罗为了你

把特茹河变成安佛利索。


小山顶上生长着

茂密快乐的树林,

不是巧手种植,

优美压低了枝头,

那葱翠的绿意,

比不上你

明亮而纯洁里眼睛

寄托的希望,

让阿摩尔欢喜,让维纳斯妒忌。


在翠绿的枝叶间 

小鸟悦耳地鸣叫,

是大自然的音乐,

那么优美而柔和,

令人陶醉,比不上

你甜蜜的话语,

传来的自然的消息,

偷走了墨丘利的

魔杖和智慧。


晶莹清澈的河水

在树林间流动,

从高崖悬挂的瀑布,

给绿色的草地

镶嵌上珍珠。

从眼前逃逸的潺潺水声,

比不上你高贵优雅的

眼神的冷漠更令人快乐,

让山野的狄安娜彬彬有礼。


情歌啊,你竟敢看她的目光!

那眼神已慑服了众神:

悲伤的萨图尔努斯,愤怒的朱庇特,

勇敢的马尔斯,金色的阿波罗,美丽的维纳斯,

还有墨丘利,狄安娜和所有的星星。

COMENTÁRIO À CANÇÃO XI

Em curso.


对中文翻译的评注:

36 : 希腊神话中大洋神的儿子,安佛利索河神,这条河是波罗圣地之一。

44 :  绿色代表希望,这句话是说,女孩儿的眼睛是绿色的。

EDIÇÃO CRÍTICA DIGITAL DA OBRA LÍRICA DE CAMÕES

卡蒙斯抒情作品数字批判版

UNIVERSIDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MACAU

澳門科技大學

PROJETO FRG-25-029-UIC

A LÍRICA DE CAMÕES, ESTUDO, TRADUÇÃO E PUBLICAÇÃO

卡蒙斯的诗歌——研究、翻译和出版