CANÇÕES
EDIÇÃO, PARÁFRASE, TRADUÇÃO CHINESA E COMENTÁRIO (TRABALHO EM CURSO)
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CANÇÃO XIII
Quem com sólido intento
Primeira publicação:
Texto adotado:
Canção XIII
Quem com sólido intento,
Os segredos buscar da natureza,
Quanto d'Athenas préza,
Entregue ao mar irado, ao leve vento:
5 Em forjar meu tormento,
Nova Philosophia,
D' experiencias feita, Amor m'ensina.
Das leis do antigo tempo bem declina;
Que Amor a natureza em mi varia;
10 Donde escola de Sabios nunca vio
Em natural sogeito
Quanto Amor em meu peito descobrio.
As aves no ar sereno,
O gado de Proteo nas águas pasce;
15 Vive o homem e nasce
Neste mundo, qual mundo mais pequeno:
Eu tudo desordeno,
Em todos dividido;
A boca no ar, na terra o entendimento:
20 Dá-me esse Amor, dá-me esta o pensamento;
O coração no fogo he consumido:
Mas a ágoa, que dos olhos sempre desce,
Têe effeito tão vário,
Qu'em hum humor contrário o fogo cresce.
25 Da vista Amor sohia
Abrir ao coração segura entrada:
Lei he ja profanada;
Que quando a luz d'huns olhos me feria,
Amando o que não via,
30 Qual d' escopeta o lume,
Primeiro o querer vi que a causa visse.
Quem o desejo co'a esperança unisse,
Cego iria apoz cego e vil costume;
Qu'eu dest'alma, das leis do mundo isenta,
35 Morta a esperança vejo,
Onde sempre o desejo se sustenta.
Em vão se considera
Que hum semelhante a outro busca e ama,
E que foge e desama
40 Todo mortal a morte esquiva e fera.
Sigo huma linda fera,
Qu' esconde em vista humana
Coração de diamante e peito d'aço,
De meu sangue faminta, e satisfaço
45 Com cruel morte a sêde deshumana.
Assi que, sendo em tudo differente,
Corro apoz minha sorte,
E se m'entrego à morte, estou contente.
Cahe em maior defeito
50 Quem cuida ser sciencia clara e certa,
Que a causa descoberta
Sempre produz a si conforme o effeito.
Rendeo-me hum lindo objeito,
Que, sendo neve pura,
55 Vivo me abraza, e o fogo interno aviva;
Qu'esta formosa fera fugitiva,
Com ser neve, do fogo s’assegura:
Donde infiro por certo (e cesse a fama
Vãa, mentirosa e leve)
60 Que não desfaz a neve ardente chama.
Bem no effeito se sente cessar,
Cessando a causa donde pende;
Que o fogo mais se accende,
Estando á vista, donde mais ausente;
65 Mas n'alma vivamente
A trazem debuxada,
De noite Amor, de dia o pensamento:
E quando Apollo deixa o claro assento,
Por entre sombras vejo a Nympha amada.
70 Pois se sem luz Amor os olhos ceva,
Cego, se não concede
Quem nada a Amor impede a escura treva?
Erra quem atrevido
Pregôa ser maior que a parte o todo:
75 Amor me têe de modo,
Qu' estou n' hum' alma minha convertido:
Desta gloria ha nascido
O temor de perdê-la:
E, posto que o receio a muitos finge
80 Lá na imaginação Chimera e Sfinge
De mal futuro, que urde imiga estrella,
Vejo em mi, por incognito segredo,
Quando estou mais contente,
Que só do bem presente nasce o medo.
85 Tee-se por manifesto
Parecer-se ao sogeito o accidente;
Mas inda em mi se sente
O pensamento, a côr, o riso, o gesto;
E, tendo todo o resto
90 Da vida ja perdido
Neste tormento meu tão duro e esquivo,
A gostos morto estou, a penas vivo.
E, sendo morto ja, vive o sentido,
Porque sinta que n'alma despedida
95 Pode em meu mal unir-se
O ficar e o partir-se, a morte e a vida.
Destas razões, Canção, infiro e creio,
Que ou se mudou em tudo a forma usada
Da natural firmeza,
100 Ou tenho a natureza em mi mudada.
Canção XIII
Quem investigar seriamente os mistérios da natureza, guiado pela deusa Atena, navegará pelos mares entregue ao vento:
Mas o Amor ensina-me uma outra sabedoria, feita de experiência.
As leis antigas não se aplicam ao meu caso, pois em mim o amor revogou todas as leis da natureza.
Nunca os filósofos viram em alguém o que o Amor despertou no meu coração.
As aves vivem no ar calmo, os animais marinhos encontram sustento nas vastas águas; o homem nasce e vive na terra, a parte mais pequena do mundo.
Mas eu perturbo tudo, pois estou dividido entre todos os elementos: a minha boca está no ar, a minha mente na terra.
O Amor dá-me o ar, e a terra dá-me razão;
O meu coração arde em fogo.
Mas as águas, sempre a correr dos meus olhos, têm um efeito tão inesperado que, em vez de o extinguir, reacendem esse fogo no meu coração.
O Amor costumava abrir um caminho para o coração através dos olhos.
Mas não é esse comigo o caso. Pois quando o olhar da minha Amada me atingiu, passando a amar aquela que eu não conseguia ver, como o fogo dentro de uma arma, vi antes o desejo do que quem o motivou.
E quem unisse este desejo à expectativa seguiria uma crença cega e fútil.
Mas eu, cuja alma tenho livre das leis deste mundo, encontro-me sem essa esperança que alimentaria o desejo.
É errado pensar que o semelhante atrai e procura o semelhante, e que o instinto de sobrevivência nos leva a fugir e a evitar a morte cruel e traiçoeira.
Eu vou seguindo uma bela fera, que por detrás de um rosto humano tem um coração de pedra e um peito de metal.
Ela anseia pelo meu sangue, e eu sacrifico a minha vida para saciar esta sede atroz.
Assim como o meu destino é único, cumpri-lo-ei entregando-me à morte com alegria.
Desenganem-se os que pensam que as mesmas causas produzem sempre os mesmos efeitos.
Fiquei cativado por um belo corpo que, sendo branco como a neve, me queima vivo e acende o meu fogo interior.
Como esta bela e esquiva criatura, sendo neve, vive de incendiar, concluo (e que se desminta a ideia contrária, falsa e enganadora) que a neve não é derretida pela chama do desejo.
Dizem os filósofos que quando a causa termina, termina também o efeito dela. E o fogo do desejo em princípio acende-se mais facilmente em presença do que à distância.
Contudo, em mim a Amada é evocada na Alma, à noite pelo Amor, e de dia pela recordação: e quando o sol se põe, eu vejo a Ninfa amada por entre as sombras, pois se Amor é cego mas alimenta-me a imaginação, como o haveria a escuridão de o impedir de agir?
E engana-se Aristóteles ao proclamar que o todo é sempre maior do que a soma das suas partes.
O amor reduziu-me a uma Alma pura.
E deste êxtase nasceu o medo de a perder: e embora muitos temam fantasias da sua imaginação que sobrevenham no futuro, males impostos por uma estrela inimiga, eu vejo em mim, misteriosamente, que é no presente, quando eu estou mais feliz, que mais receio tenho.
Aristóteles defende ainda que o acidente só pode existir em ligação com o sujeito.
No entanto, o pensamento, a cor, o riso e a expressão subsistem em mim, e tendo perdido a vida que havia em mim, já não existo para os prazeres, mas apenas para as dores.
E estando morto, subsiste o sofrimento para que eu possa sentir que na alma que já partiu, ir e ficar, morte e vida, se unem para a minha desgraça.
Por estas razões, Canção, deduzo e acredito que ou as leis do mundo mudaram completamente, ou foi dentro de mim que a natureza se transtornou.
情歌十三
那些以坚定的信念
寻找大自然秘密的人,
他们珍视雅典的一切,
投身于狂怒的大海,迎着徐徐海风:
可是爱神教会我一种新的哲学,
是用折磨打造的
经验所构成。
背离了古代的法则,
爱神在我身上颠覆了大自然,
其中,古代智者的学说从未见过,
爱神在我心中发现的
一切自然的对象。
鸟儿在天空静静翱翔,
普洛透斯水中放牧海豚,
人类出生并生活在大地,
这是个很狭窄的世界。
我搅乱一切,
分布在四大元素之上。
嘴吧在天空,思想在大地,
爱神给我幻觉,思想给我理性。
心在火中燃烧,
可眼中泪水流长,
眼泪有如此多的奇效,
它不灭火,反而让欲火助长。
爱神惯于通过视觉打开
通向心的可靠途径,
这条规律已经被亵渎。
当一双眼睛的光芒将我刺伤,
我爱着看不见之物,
仿佛猎枪的火焰,
先见所爱,后见原因,
一个把欲望与希望结合起来的人,
是盲人追随着盲目与卑贱的习惯。
我这摆脱世间规则的灵魂,
我看见希望已死,
希望总是由欲望维持。
人们徒然地认为
同类相吸相爱。
一切有死的凡夫
都逃避并憎恶冷漠凶狠的死亡。
我追随一头漂亮的母兽,
她藏在人的眼神,
钻石的心,钢铁的胸,
贪婪地吸吮我的鲜血,
我用残酷的死满足她非人的饥渴。
就这样,与众不同,
我追随着自己的命运,
若我把自己交付死神,那是一种快乐。
以为明显的原因总是
产生与之相符的效果,
是明确科学的人,
他们落入最大的误差:
一个美丽对象俘获了我,
那是纯洁的白雪,我却生活在火中
内心的欲火熊熊燃烧
这是头逃逸的美丽母兽,
因为是雪,对火很安全,
我断定(停止吧,
虚妄谎言的轻率的声誉)
炽热的火不能将雪融化。
当取决于之的原因停止
便感觉停止了效果;
比起在眼前,远离的时候
欲火燃烧得越烈。
然而,他的形象生动地
描绘在灵魂里,
夜晚由爱神掌控,白天由思念支配,
当阿波罗离开他的明亮的宝座,
我在黑暗里仍看见心爱的苧芙。
即使没有光亮,
爱神的眼睛会继续追寻,
即使眼盲,他仍不放弃,
黑暗也阻挡不了他的力量。
那个大胆断言
整体大于部分大的人是个错误。
爱神用他的办法
将我变成了我的灵魂:
从这种光荣
产生了丢失它的恐惧:
然而,当对许多人来说,在想象里假想出
喀迈拉和斯芬克斯的灾难的未来,
编造出充满敌意的命运之星,
而我却由于未知的秘密,在自身看见,
当我最快乐的时候,
只从当下的幸福中生出恐惧。
显而易见,
偶性本应是主体的表象,
可思想,颜色,音容笑貌,
这些表象在我心中仍然被感知。
是已逝去的生活
所残留的一切。
在这种如此残酷冷漠的折磨中,
对乐趣我已死,对悲伤我还活着。
作为已死之人,感受还活着,
因为感觉在灵魂中已告别,
去与留,死与生
能够在我的苦难中团聚。
情歌啊,从这些理由,我判断并相信:
要么自然固有的坚定形式已完全改变,
要么我的本性已改变。
COMENTÁRIO À CANÇÃO XIII
Em curso.
对中文翻译的评注:
54 : 皮肤白皙的美人。
56 : 冷艳美女。
EDIÇÃO CRÍTICA DIGITAL DA OBRA LÍRICA DE CAMÕES
卡蒙斯抒情作品数字批判版

UNIVERSIDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MACAU
澳門科技大學
PROJETO FRG-25-029-UIC
A LÍRICA DE CAMÕES, ESTUDO, TRADUÇÃO E PUBLICAÇÃO
卡蒙斯的诗歌——研究、翻译和出版

