ODES



EDIÇÃO, PARÁFRASE, TRADUÇÃO CHINESA E COMENTÁRIO (TRABALHO EM CURSO)

编辑、改写、中文翻译和评论(进行中)

ODE VIII

CALMA NOS DEIXOU


Primeira publicação:

Texto adotado:

[Omnia mutantur]

Luís de Camões

Original

Ode 8

I

Já a calma nos deixou

sem flores as ribeiras deleitosas;

já de todo secou

cândidos lírios, rubicundas rosas:

05          fogem do grave ardor os passarinhos

para o sombrio amparo de seus ninhos.


II

Meneia os altos freixos

a branda viração, de quando em quando;

e de entre vários seixos

10          o líquido cristal sai murmurando:

as gotas, que das alvas pedras saltam,

o prado, como pérolas, esmaltam.


III

Da caça já cansada,

busca a casta Titânia a espessura;

15          onde à sombra inclinada

logre o doce repouso da verdura:

e sobre o seu cabelo ondado, e louro,

deixe cair o bosque o seu tesouro.


IV

O Céu desimpedido

20          mostrava o Lume eterno das Estrelas;

e de flores vestido

o campo, brancas, roxas, e amarelas,

alegre o bosque tinha, alegre o monte,

o prado, o arvoredo, o rio, a fonte.


V

25          Porém como o menino

que a Júpiter por a Águia foi levado,

no cerco cristalino

for do Amante de Clície visitado,

o bosque chorará, chorará a fonte,

30          o rio, o arvoredo, o prado, o monte.


VI

O mar, que agora brando

é das Nereidas cândidas cortado,

logo se irá mostrando

todo em crespas escumas empolado:

35          o soberbo furor do negro vento

fará por toda a parte movimento.


VII

Lei é da Natureza

mudar-se desta sorte o tempo leve:

suceder à beleza

40          da Primavera o fruto; a ele a neve;

e tornar outra vez, por certo fio

Outono, Inverno, Primavera, Estio.


VIII

Tudo, enfim, faz mudança,

quanto o claro Sol vê, quanto alumia;

45          nem se acha segurança

em tudo quanto alegra o belo dia:

mudam-se as condições, muda-se a idade,

a bonança, os estados, e a vontade.


IX

Somente a minha inimiga

50          a dura condição nunca mudou;

para que o mundo diga

que nela lei tão certa se quebrou:

em não ver-me ela só sempre está firme,

ou por fugir de Amor, ou por fugir-me.


X

55          Mas já sofrível fora

que em matar-me ela só mostre firmeza,

se não achara agora

também em mim mudada a natureza:

pois sempre o coração tenho turbado,

60          sempre de escuras nuvens rodeado.


XI

Sempre experimento os fios

que em continuo receio Amor me manda;

sempre os dois caudais rios

que em meus olhos abriu quem nos seus anda

65          correm, sem chegar nunca o verão brando,

que tamanha aspereza vá mudando.


XII

O Sol sereno, e puro,

que no fermoso rosto resplandece,

envolto em manto escuro

70          do triste esquecimento, não aparece;

deixando em triste noite a triste vida,

que nunca de luz nova é socorrida.


XIII

Porém, seja o que for:

mude-se por meu dano a natureza;

75          perca a constância Amor;

a Fortuna inconstante ache firmeza;

tudo mudável seja contra mi,

mas eu firme estarei no que empreendi.

FELIPE DE SAAVEDRA

(2024)

PARÁFRASE

Ode VIII

I

Veio o calor e privou-nos das flores nas margens dos aprazíveis ribeiros; secou completamente os brancos lírios e as rubras rosas; os pássaros fogem agora da canícula, acolhendo-se ao frescor dos ninhos.


II

O vento suave agita de quando em vez os enormes freixos, e das pedrinhas das fontes sai sonora a água brilhante, em pingos que salpicam as pedras brancas, pintando a planície como pérolas.


III

Artemisa se refugia no bosque já cansada das caçadas, reclinando-se na penumbra para descansar deleitosamente entre as plantas, e o bosque cobre de flores o seu cabelo fulvo e ondulado.


IV

O céu limpo exibia a perpétua luz dos astros; e a campina repleta de flores, alvas, rubras e doiradas, encantava a floresta, o cume, o plaino, o mato, o ribeiro e a nascente.


V

Porque em janeiro, quando o sol entrar no signo do Aquário e for chegado o tempo invernoso, já a floresta pranteará, plangerá a nascente, o ribeiro, o mato, o plaino, o cume.


VI

Esse mar, agora calmo e povoado pelas brancas ninfas marinhas, erguer-se-á encrespado em vagalhões de espuma; e em todos os lugares se agitará a enorme fúria do medonho vento.


VII

Essa é a lei da natureza: alterar-se a estação suave, e à branda primavera os pomos se seguirem; e a estes, a neve; e necessariamente se sucederem o outono, o inverno, a primavera e o verão.


VIII

Tudo o que sob o sol existe, e que é por ele iluminado, por fim se mudará; nem existe firmeza em coisa alguma que o lindo dia embeleza; mudam-se as circunstâncias, muda-se a época, a paz, as fases da vida e os desejos.


IX

Apenas a minha antagonista jamais mudou a agreste disposição para comigo, para que se possa dizer que esta lei universal nela falhou; apenas ela persevera em não querer ver-me, seja para se esquivar ao amor, seja para se esquivar de mim.


X

Mas como se não bastasse que apenas ela fosse imutável em me fazer sofrer, igualmente se mudou em mim a lei natural [da permanente mudança], já que eu estou sempre triste, e perpetuamente cercado por negras sombras.


XI

ontinuamente sofro com temor os laços que Amor me atira; jorram sempre as duas caudalosas fontes que nos meus olhos Cupido fez nascer, ele que nos olhos dela anda, sem que chegue jamais um suave estio que a tanta desventura ponha termo.


XII

O sol, poderoso e claro, que cintila no belo rosto dela, para mim não aparece, que encoberto estou na escura treva de um infeliz desprezo, que condena a minha penosa vida a uma escuridão misérrima, jamais remida por nova luz.


XIII

Porém, venha o que vier, altere-se para meu mal a lei natural: ainda que o amor perca perseverança e que a instável sorte se estabilize, mesmo que tudo se mude contra mim, eu, todavia, permanecerei inabalável nos meus sentimentos por ela.

ZHANG WEIMIN

(2024)

简体中文

炎热已经让

溪边美丽的鲜花枯萎;

康乃馨,百合,红艳的玫瑰

都已然凋谢;

小鸟逃离酷暑

返回到阴凉的鸟巢。

 


高大的白蜡树

不时轻轻摇动,

亮晶晶的溪水

在卵石间细语,

水花在白色的石头上飞溅,

像珍珠镶嵌在绿色的草地。



贞洁的阿尔忒弥斯

已厌倦了狩猎,去寻找密林,

在低垂的树荫下

甜美的绿意间休息。

她的金发如波浪

似珠宝撒落在树林间。



丽丽晴空显示出

众星永恒的火焰,

万紫千红的鲜花,

装饰着原野,

快乐的树林,快乐的山岗,

快乐的草地、树木、河流、小溪。


 

然而当太阳

进入水瓶座,

来到了寒冷的冬天。

克莉缇的情人来拜访[1]

树林,山泉,河流

草地山岗都在哭泣。


 

大海,此刻风平浪静,

纯洁的涅丽达[2]们在游过,

水面上立刻

泛起了泡沫

黑风傲怒,

到处掀起动荡的波涛。


 

轻快的时间就这样改变

是大自然的规律:

美丽的春花之后是秋实,

金秋过后是白雪。

春夏秋冬

沿着它的路线轨迹。



总之一切都在变化

光明的太阳看见和照耀的一切,

美丽的一天所有的快乐,

都没有可靠的保障。

条件变化,时代变化,

风平浪静、状态和意志都在变化。

 

 

只有我的女冤家,

铁石心肠永远不变。

为了让世界说

如此确定的法律在她身上被打破。

她死心塌地不要见我,

或是为了逃离爱神,或是为了逃离我。


 

不仅是她一心要执意杀死我,

让我受尽折磨,

而且现在我还发现

自身中的心绪也已改变。

心中总是充满烦恼,

总是乌云缭绕。

 

 

总是持续地忧愁担心

体验爱情对我的纠缠,

我的眼睛总被那个人

开辟出两条滔滔泪河。

永流不到温暖的夏天

来改变这极端的严酷。



阳光,安详又纯洁,

照耀在美丽的容颜,

我裹着悲伤的、忘记的、

黑色披风,似乎会

把悲伤的生命留在悲伤的夜,

永远不会有新的光明来相救。



然而,无论怎样,

大自然为伤害我而变化:

爱神失去了他的恒常,

无常的福运变得坚定,

一切合起伙来同我作对,

然而我的感情忠贞不渝。

COMENTÁRIO À ODE VIII

Em curso.


对中文翻译的评注:

13 : 月神。

28 : 苧芙克莉缇爱上太阳神赫利俄斯(常与阿波罗相混),但是得不到太阳神的爱,于是化作太阳花。

32 : 海仙女。


EDIÇÃO CRÍTICA DIGITAL DA OBRA LÍRICA DE CAMÕES

卡蒙斯抒情作品数字批判版

UNIVERSIDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MACAU

澳門科技大學

PROJETO FRG-25-029-UIC

A LÍRICA DE CAMÕES, ESTUDO, TRADUÇÃO E PUBLICAÇÃO

卡蒙斯的诗歌——研究、翻译和出版